Próxima estação: Rússia

Janeiro 19, 2018|Posted in: Histórias

Depois de um longo período, é hora de mudar, de reativar o blog e de cruzar oceanos. Para quem não sabe, ainda em janeiro embarco para a Rússia, mais especificamente para Belgorod, uma cidade de 370 mil habitantes no Sudoeste do país. Lá vou estudar o idioma na faculdade preparatória por alguns meses para, a partir do segundo semestre, cursar mestrado em russo em Kazan, uma cidade com mais de mil anos, forte influência muçulmana e, obviamente, muitas histórias.

Moradia estudantil em Belgorod – ou casa

A mudança será intensa: dos 18ºC do verão curitibano, aterrissarei na temperatura gélida do inverno russo (hoje, marcada frescos -15ºC). Do cotidiano da Copel – onde trabalhei como profissional de comunicação nos últimos anos -, vamos para moradia estudantil, oito horas de aula por dia e, claro, tarefas de casa.

Para alguns, uma loucura. Para outros, um passo atrás. Para mim, a oportunidade de estudar novamente, de me dar o direito de arriscar e de realizar um antigo sonho, que começou com a leitura de o desconhecidoO Adolescente”, de Dostoyevsky, 15 anos atrás. Sobretudo, como diria Joseph Campbell, “follow your bliss” (“siga sua bênção”, em tradução livre).

Novo projeto

A mudança trouxe fôlego, inspiração e a vontade de produzir. Pra compartilhar as aventuras em terras russas, combinar com os estudos de literatura e de mitos e vou desenvolver lá e continuar a contar histórias, vamos resgatar o blog “O Salto”. Fruto de uma parceria com o Instituto Dom Miguel (https://www.institutodommiguel.com/), que acredita e está apoiando esta empreitada, volto a publicar neste espaço posts sobre literatura, mitos, viagens e histórias, em geral.

Ao longo dos próximos meses, acompanhe conosco discussões sobre mitos e diversidade, reflexões sobre a arte de contar histórias, entrevistas com profissionais renomados, sugestões e dicas sobre contos e, claro, relatos sobre as terras russas.

Kremiln de Kazan – capital da Republica do Tatarstão

Uma lenda

Kazan, local em que farei o mestrado, é uma cidade com pouco mais de um milhão e meio de habitantes, fundada há mais de mil anos pelos tártaros (ou tatares), que se converteram ao islã – fazendo com que seja a única cidade russa em que há uma mesquita no kremlin (fortificação central de onde a cidade nasceu).

A cidade foi conquistada por Ivan, o Terrível, em 1552. Conta-se que, ao conquistar Kazan, Ivan se apaixonou pela rainha dos tártaroes, Söyembikä. Demonstrando toda essa paixão, matou o marido dela e depois a pediu em casamento. Desconsolada, a princesa disse a Ivan que aceitava o pedido se ele fosse capaz de construir a torre mais alta da cidade em apenas uma semana.

Torre de Söyembikä: lendas ofuscaram a verdadeira história

Ninguém acreditou, mas o tsar russo ordenou e a Torre de Söyembikä – um dos principais cartões postais de Kazan – foi construída em sete dias, para desespero da rainha. Enganada por suas próprias palavras, a princesa subiu ao alto da torre e de lá se jogou para se libertar de sua promessa através da morte.

Os historiadores confirmam que não se passa de uma lenda, que a torre foi construída anos depois e que a princesa, à época da conquista de Kazan, foi mandada à prisão. Mas é a versão dos contadores de histórias – e não dos livros de História – que permanece viva na mente de moradores e visitantes.

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